Austrália aprova lei que pode cobrar de gigantes de tecnologia por notícias

Nova legislação prevê cobrança de 2,5% da receita publicitária de grandes plataformas que não firmarem acordos com veículos de imprensa

A Austrália aprovou nesta quinta-feira (20) uma nova legislação que aumenta a pressão sobre grandes empresas de tecnologia para que contribuam financeiramente com a produção de notícias no país.

A chamada News Bargaining Incentive estabelece uma cobrança equivalente a 2,5% da receita de publicidade obtida na Austrália por determinadas plataformas digitais que não cumprirem as exigências previstas na nova regra.

A medida mira empresas com serviços relevantes de busca ou redes sociais e receita anual de publicidade superior a 250 milhões de dólares australianos, valor equivalente a cerca de US$ 178 milhões.

Google, Meta, TikTok e LinkedIn estão entre as empresas afetadas

Entre as companhias que podem ser alcançadas pela legislação estão Google, Meta, TikTok e LinkedIn.

A lógica da nova regra é criar um incentivo financeiro para que as plataformas estabeleçam acordos comerciais com empresas de comunicação australianas.

O governo argumenta que as grandes plataformas se beneficiam do conteúdo jornalístico produzido pelos veículos de imprensa, já que notícias podem contribuir para o engajamento dos usuários e, consequentemente, para a geração de receita publicitária.

Em vez de simplesmente aplicar a cobrança, porém, a legislação permite que as empresas evitem o pagamento caso cumpram determinadas condições.

Plataformas terão de negociar com pelo menos oito veículos

Para evitar a cobrança, as empresas enquadradas na regra deverão firmar acordos comerciais com pelo menos oito diferentes organizações de mídia até o final do período de prestação de contas.

Os contratos precisam financiar a produção jornalística ou estar relacionados à disponibilização de conteúdo produzido pelos veículos nas plataformas digitais.

Os valores destinados aos acordos serão considerados no cálculo da quantia que a empresa teria de pagar por meio da cobrança.

A legislação também estabelece incentivos diferentes de acordo com o tamanho do veículo de comunicação. Gastos com grandes empresas de mídia terão abatimento de 150%, enquanto acordos com veículos pequenos e médios terão abatimento de 200%.

Há, entretanto, um limite para cada contrato: um único acordo não poderá representar mais de 25% do valor total da cobrança à qual a plataforma estaria sujeita.

Governo aumenta pressão sobre as big techs

A nova lei amplia uma estratégia que a Austrália vem adotando para pressionar plataformas digitais a compartilhar parte do valor econômico associado à distribuição de conteúdo jornalístico.

O objetivo é criar uma fonte adicional de financiamento para o setor de imprensa, que enfrenta mudanças no modelo tradicional de publicidade e distribuição de notícias.

Na prática, as grandes plataformas terão duas alternativas principais: negociar acordos com veículos de comunicação que atendam às exigências da legislação ou ficar sujeitas à cobrança prevista na nova regra.

A aprovação também reforça o debate internacional sobre a relação entre empresas de tecnologia e organizações jornalísticas.

Medida faz parte de uma série de regras para plataformas

A decisão ocorre em um momento de ampliação da regulamentação das grandes empresas de tecnologia na Austrália.

O governo australiano tem adotado medidas voltadas a diferentes aspectos da atuação das plataformas digitais, incluindo regras relacionadas à publicidade e à proteção de usuários.

A nova legislação sobre notícias foi aprovada apenas um dia depois de o Parlamento australiano também aprovar restrições relacionadas à publicidade de apostas.

Com a News Bargaining Incentive, a Austrália passa a utilizar novamente um mecanismo financeiro para pressionar as grandes plataformas a estabelecer relações comerciais com o setor de mídia.

O que muda para Google, Meta, TikTok e LinkedIn?

As empresas que se enquadrarem nos critérios da legislação terão de avaliar se preferem negociar acordos com veículos de imprensa ou arcar com a cobrança prevista.

A regra não determina simplesmente que toda empresa de tecnologia deverá pagar 2,5% de sua receita publicitária. A cobrança está condicionada ao enquadramento nos critérios estabelecidos e ao não cumprimento das exigências previstas.

O modelo também busca distribuir os incentivos entre empresas de mídia de diferentes tamanhos, criando condições específicas para que organizações pequenas e médias possam participar das negociações.

FAQ

Qual é a nova cobrança aprovada pela Austrália?

A legislação prevê uma cobrança equivalente a 2,5% da receita de publicidade na Austrália de determinadas plataformas que não cumprirem as exigências estabelecidas.

Quais empresas podem ser afetadas?

Google, Meta, TikTok e LinkedIn estão entre as grandes plataformas que podem ser alcançadas pela regra.

Como as empresas podem evitar a cobrança?

Elas poderão evitar a cobrança por meio do cumprimento das condições previstas, incluindo acordos comerciais com pelo menos oito organizações de mídia diferentes.

Todo o dinheiro será pago diretamente ao governo?

A estrutura da legislação cria uma cobrança e, ao mesmo tempo, permite que os valores destinados a acordos com veículos de imprensa sejam considerados no cálculo dessa obrigação.

Por que a Austrália criou a medida?

O governo afirma que as plataformas se beneficiam economicamente da distribuição de conteúdo jornalístico e, por isso, devem contribuir para o financiamento da produção de notícias no país.

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