Os Estados Unidos suspenderam a implementação do acordo tecnológico de US$ 40 bilhões firmado com o Reino Unido, gerando incertezas sobre o futuro da cooperação bilateral em áreas estratégicas como Inteligência Artificial e energia nuclear. A decisão foi confirmada por autoridades britânicas nesta terça-feira (16) e divulgada pela agência Reuters.
Segundo as informações, o impasse surgiu a partir de divergências regulatórias, especialmente relacionadas à segurança on-line e à tributação de serviços digitais. Esses pontos passaram a ser vistos como obstáculos relevantes para o avanço do pacto, considerado um dos mais ambiciosos já anunciados entre os dois países.
Acordo havia sido anunciado como marco histórico
Batizado de “Acordo de Prosperidade Tecnológica”, o pacto foi formalizado durante a visita oficial do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Reino Unido, em 18 de setembro. Na ocasião, Trump se reuniu com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e ambos anunciaram o acordo em declarações conjuntas à imprensa.
À época, o governo britânico classificou o tratado como o maior pacote de investimentos da história do país, destacando seu potencial para impulsionar setores de alta tecnologia e fortalecer a posição do Reino Unido na economia digital global.
Além disso, o acordo previa impactos diretos na geração de empregos e no crescimento econômico de longo prazo.
Regulação digital trava avanço das negociações
Apesar do entusiasmo inicial, as negociações encontraram entraves técnicos e políticos. De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, os EUA demonstraram preocupação com a forma como o Reino Unido pretende regular plataformas digitais, especialmente no que diz respeito à segurança on-line.
Outro ponto sensível envolve a tributação sobre grandes empresas de tecnologia, tema que vem gerando tensões recorrentes entre governos e gigantes do setor. Para Washington, o modelo regulatório britânico pode afetar a competitividade das empresas norte-americanas.
Dessa forma, a suspensão do acordo surge como um sinal de alerta sobre o alinhamento regulatório entre os dois países.
Gigantes da tecnologia são diretamente impactadas
Empresas como Microsoft, Google, Nvidia e OpenAI estavam entre as companhias que haviam se comprometido a investir dezenas de bilhões de dólares no Reino Unido como parte do acordo.
Com a suspensão, esses investimentos ficam temporariamente em risco, o que pode afetar planos de expansão, contratação de mão de obra e desenvolvimento de centros de pesquisa no país europeu.
Ainda assim, fontes do setor avaliam que o interesse das empresas permanece, desde que haja maior clareza regulatória e estabilidade nas regras.
Governo britânico tenta manter diálogo
Apesar do revés, o governo do Reino Unido afirmou que segue comprometido em avançar nas discussões com os Estados Unidos. Autoridades britânicas reforçaram que o país considera os EUA seu principal parceiro comercial, especialmente no setor de tecnologia.
Atualmente, grandes companhias norte-americanas já investiram bilhões de dólares em operações britânicas, o que torna a relação estratégica para ambos os lados.
Portanto, Londres busca evitar que o impasse se transforme em um rompimento definitivo.
Casa Branca ainda não se pronunciou
Até o momento, a Casa Branca não comentou oficialmente a decisão de suspender a implementação do acordo. Também não foram detalhadas quais condições precisariam ser atendidas para que as conversas avancem.
Essa falta de posicionamento aumenta a incerteza em torno do futuro do pacto. Além disso, dificulta previsões sobre prazos ou possíveis ajustes no texto original.
Consequentemente, investidores e empresas acompanham o caso com cautela.
Grupo de trabalho estava previsto no acordo
O acordo previa, inicialmente, a criação de um grupo de trabalho bilateral dentro de um prazo de seis meses. Esse grupo seria responsável por supervisionar a implementação do pacto e alinhar estratégias entre os ministérios dos dois países.
Segundo Keir Starmer, o projeto tinha potencial para criar mais de 15 mil empregos no Reino Unido e gerar impactos sociais positivos de longo alcance.
O premiê chegou a afirmar que o acordo teria o “poder de mudar vidas”, reforçando sua importância estratégica.
IA no centro da disputa geopolítica
Durante o anúncio do pacto, Donald Trump destacou que o acordo visava garantir a liderança de EUA e Reino Unido na corrida global da Inteligência Artificial. O então presidente classificou a IA como a “maior revolução tecnológica” da atualidade.
A declaração foi amplamente interpretada como um recado à China, que tem ampliado investimentos e influência no setor tecnológico.
Nesse contexto, a suspensão do acordo levanta dúvidas sobre a capacidade das duas nações de manter uma frente unificada diante da concorrência global.
Parceria estratégica vinha sendo fortalecida em 2025
Este seria o segundo grande acordo comercial entre EUA e Reino Unido em 2025. Em maio, o governo de Starmer foi o primeiro a contornar o chamado “tarifaço” imposto pela Casa Branca, firmando um tratado para mitigar taxas sobre importações globais.
Esse histórico reforça a relevância da parceria bilateral. Por isso, a suspensão do acordo tecnológico representa um revés significativo, ainda que possivelmente temporário.
Suspensão expõe desafios da cooperação tecnológica
A decisão dos EUA evidencia os desafios de alinhar regulação, interesses econômicos e estratégias geopolíticas em um cenário de rápida evolução tecnológica. Questões como segurança digital, impostos e soberania de dados tendem a ganhar ainda mais peso nas negociações internacionais.
Assim, o futuro do acordo dependerá da capacidade de ambos os países em encontrar um equilíbrio entre proteção regulatória e estímulo ao investimento.
Enquanto isso, o mercado segue atento aos próximos movimentos de Washington e Londres.
