O criador de PEAK, um dos maiores sucessos indie recentes, fez um alerta importante para a indústria dos games. Segundo Nick Kaman, co criador do jogo, as oportunidades para desenvolvedores independentes estão diminuindo rapidamente, mesmo com o crescimento constante do público interessado em novos jogos.
Em entrevista ao site GameFile, Kaman explicou que o problema não está na falta de jogadores. Pelo contrário. Ele acredita que sempre existirão pessoas dispostas a consumir experiências criativas e diferentes. No entanto, o acesso a financiamento, publicação e suporte de estúdios está cada vez mais restrito.
Por isso, muitos projetos promissores acabam não saindo do papel.
Sucesso de PEAK mostra que ainda há espaço para jogos criativos
PEAK foi lançado em junho de 2025 e rapidamente se tornou um fenômeno. O jogo conquistou milhões de jogadores ao oferecer uma experiência cooperativa simples, divertida e altamente social.
A proposta é clara. Até quatro pessoas precisam escalar juntas o topo de uma montanha usando ferramentas, coordenação e comunicação. O chat por proximidade virou um dos grandes destaques do jogo e ajudou a gerar momentos engraçados que viralizaram nas redes sociais.
Como resultado, PEAK ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas em sua primeira semana. Atualmente, o jogo já soma mais de 10 milhões de unidades comercializadas apenas no Steam, com uma receita estimada em 55 milhões de dólares.
Esse desempenho prova que ainda existe demanda por jogos independentes criativos. Ainda assim, o próprio sucesso do título expõe o quanto esse tipo de trajetória se tornou rara.
Publicação e financiamento são os maiores obstáculos
Segundo Nick Kaman, o verdadeiro problema para estúdios independentes está fora do desenvolvimento em si. Hoje, criar um bom jogo não garante que ele será lançado.
O acesso a publicadoras diminuiu. O custo de produção aumentou. Além disso, investidores se tornaram mais conservadores e evitam riscos.
Como consequência, estúdios pequenos enfrentam dificuldade para manter equipes, financiar projetos longos e competir por visibilidade em lojas digitais lotadas de lançamentos.
Portanto, mesmo que alguém tenha uma ideia brilhante, a chance de transformá la em um produto comercial diminui a cada ano.
Cancelamento de projetos virou uma realidade comum
O próprio criador de PEAK passou por isso. Antes do sucesso atual, Kaman trabalhou em Going Under 2, projeto que acabou sendo cancelado após o estúdio perder sua publicadora.
Na época, seriam necessários cerca de 3 milhões de dólares para continuar o desenvolvimento. No entanto, esse valor não foi obtido.
Essa experiência fez Kaman repensar completamente sua forma de criar jogos. Em vez de investir anos em um projeto arriscado, ele passou a focar em ideias menores, mais diretas e com potencial imediato de diversão.
Essa mudança de mentalidade foi fundamental para o nascimento de PEAK.
Criar jogos mais rápidos e focados pode ser a saída
Para Kaman, os estúdios precisam adotar uma nova abordagem. Ele recomenda evitar ciclos longos de desenvolvimento e focar primeiro na essência do jogo.
Ou seja, é mais importante entregar algo divertido do que algo perfeito.
Segundo ele, os jogadores conseguem perdoar pequenos problemas técnicos se a experiência for original, envolvente e diferente do que já existe no mercado.
Essa filosofia vai na contramão do modelo tradicional de grandes produções, que priorizam polimento extremo, orçamentos gigantescos e ciclos longos.
No cenário atual, no entanto, esse modelo se tornou inacessível para a maioria dos estúdios independentes.
Indústria vive um momento de transição
A fala do criador de PEAK reflete uma mudança profunda na indústria dos games. De um lado, existe mais público do que nunca. De outro, existem menos caminhos para que novos jogos cheguem até esse público.
As plataformas estão mais competitivas. Os custos são maiores. A visibilidade depende cada vez mais de algoritmos e tendências.
Assim, o sucesso de um jogo como PEAK representa uma exceção. Ele mostra que ainda é possível vencer, mas também deixa claro que o caminho se tornou mais estreito.
O futuro dos jogos indie depende de novos modelos
Diante desse cenário, o futuro dos jogos independentes depende da criação de novos modelos de financiamento, publicação e distribuição.
Assinaturas, acesso antecipado, financiamento coletivo e apoio direto da comunidade surgem como alternativas viáveis.
Além disso, ferramentas mais acessíveis e motores gráficos eficientes ajudam a reduzir custos e acelerar o desenvolvimento.
Portanto, embora as oportunidades estejam diminuindo, elas ainda existem. No entanto, elas exigem mais estratégia, mais criatividade e mais foco do que nunca.
O alerta de Nick Kaman não é apenas um desabafo. Ele funciona como um sinal claro de que a indústria precisa se adaptar se quiser continuar recebendo novas ideias, novas vozes e novas experiências.
E, afinal, são essas experiências que mantêm os games vivos, relevantes e inovadores.
