Teste Revela se Celular Escuta Conversas Para Direcionar Anúncios: Como Funciona e Como se Proteger

A sensação de que o smartphone “escuta” nossas conversas presenciais para sugerir produtos não é mera coincidência. Cada vez mais usuários relatam situações em que falam sobre determinado tema e, dias depois, se deparam com anúncios relacionados nas redes sociais, aplicativos ou serviços de streaming. Essa prática, embora controversa, tem fundamentos técnicos e legais, e está diretamente ligada às permissões concedidas pelos próprios usuários.

Em entrevista ao Podcast Canaltech, Madu Melo, especialista da NordVPN, confirma que dispositivos móveis podem captar áudio ambiente com o objetivo de direcionamento publicitário. “É uma prática que depende das permissões concedidas, muitas vezes sem que o usuário tenha plena consciência”, explica Melo. A especialista destaca que a maioria dos aplicativos inclui cláusulas nos termos de uso que permitem a coleta de dados de áudio, e que aceitar esses termos equivale a autorizar legalmente o acesso ao microfone, inclusive em segundo plano.


A importância de ler os termos de serviço

Segundo o Teste Nacional de Privacidade, citado por Melo, 37% dos brasileiros nunca leem os termos de serviço antes de aceitar o uso de aplicativos. Esse comportamento abre espaço para que empresas coletem dados pessoais, incluindo informações de voz, sem que os usuários percebam.

“É nessas entrelinhas que os aplicativos obtêm nosso consentimento”, afirma Melo. Quando o usuário clica em “aceito”, ele permite legalmente que o aplicativo tenha acesso ao microfone, podendo escutar sons e vozes ao redor, mesmo sem interação direta. Embora isso seja tecnicamente permitido, a prática levanta questões éticas sobre privacidade e limites da coleta de dados.


Teste prático: como descobrir se seu celular ouve suas conversas

A NordVPN sugere um teste simples para que qualquer usuário possa verificar se anúncios estão sendo direcionados com base em conversas presenciais. O procedimento é seguro e não exige conhecimento técnico avançado:

  1. Escolha um tema aleatório: pode ser algo que normalmente você não pesquisa, como “orangotango”, “viajar para Patagônia” ou qualquer assunto distante da rotina cotidiana.
  2. Converse sobre o tema próximo ao smartphone: fale em voz alta sobre o assunto por alguns minutos durante vários dias.
  3. Não utilize a internet para o tema escolhido: evite pesquisar no Google, redes sociais ou usar ferramentas de IA como ChatGPT relacionadas ao tema. Apenas a conversa presencial deve ser usada.
  4. Observe os anúncios: segundo Melo, em um dos testes realizados, anúncios começaram a aparecer relacionados ao tema depois de dois dias, mas a resposta dos algoritmos pode variar de 48 horas a duas semanas, dependendo do aplicativo, do sistema operacional e das permissões concedidas.

Esse teste não é definitivo, mas ajuda a ilustrar como a coleta de dados de áudio pode influenciar diretamente os anúncios exibidos, reforçando a necessidade de atenção às permissões de apps e configurações de privacidade.


Riscos da coleta excessiva de dados de áudio

Além de direcionar anúncios, a coleta contínua de áudio pode expor usuários a riscos financeiros e de segurança. Como explica Melo:

“O anúncio que pode parecer seguro pode machucar no bolso.”

Alguns exemplos de riscos incluem:

  • Fraudes e golpes financeiros: anúncios falsos, moldados com base em interesses captados pelo microfone, podem induzir o usuário a comprar produtos falsos ou participar de esquemas suspeitos.
  • Violação de privacidade: a captação constante de áudio cria registros detalhados sobre hábitos, preferências e rotinas pessoais, que podem ser usados para perfis de consumo detalhados ou vendidos a terceiros.
  • Risco de exposição de dados sensíveis: informações confidenciais, conversas sobre saúde ou questões financeiras, podem ser capturadas por aplicativos com permissões amplas.

Portanto, o problema não é apenas a publicidade direcionada, mas também o potencial uso indevido de dados sensíveis.


Sete práticas para se proteger

Melo lista sete práticas de segurança cibernética para minimizar os riscos da coleta de áudio e proteger dados pessoais:

  1. Baixar aplicativos apenas de lojas oficiais e verificadas
    • Evite instalar apps de sites desconhecidos ou lojas de terceiros, que podem conter softwares maliciosos.
  2. Revisar permissões de acesso de cada app
    • Verifique quais aplicativos têm acesso à câmera e microfone, e desative permissões desnecessárias.
  3. Remover aplicativos desconhecidos ou sem uso
    • Aplicativos abandonados ou raramente usados podem continuar coletando dados em segundo plano.
  4. Limpar regularmente o histórico de assistentes de voz
    • Serviços como Siri, Google Assistente e Alexa armazenam gravações de voz que podem ser usadas para personalização de anúncios.
  5. Manter softwares do aparelho atualizados
    • Atualizações corrigem falhas de segurança e melhoram o controle de permissões de apps.
  6. Utilizar autenticação de dois fatores (2FA)
    • Isso protege contas importantes mesmo que dados de voz ou outras informações pessoais sejam expostos.
  7. Usar VPN para criptografar o fluxo de dados
    • Uma VPN ajuda a proteger a navegação e os dados enviados para servidores externos, dificultando o rastreamento de atividades e interesses.

Conclusão

A sensação de que o celular “escuta” conversas para direcionar anúncios não é apenas paranoia. Aplicativos podem, legalmente, acessar microfones com o consentimento do usuário, mesmo em segundo plano. Testes simples sugeridos por especialistas confirmam que essa prática é possível e que os algoritmos conseguem usar essas informações para sugerir produtos e serviços.

No entanto, existem medidas práticas para proteger dados e reduzir o impacto da coleta de áudio: revisar permissões, limpar históricos de assistentes de voz, instalar apps apenas de lojas oficiais, manter softwares atualizados e usar VPNs.

A conscientização sobre como os dados são coletados é essencial para que os usuários mantenham controle sobre sua privacidade, evitando surpresas desagradáveis e possíveis fraudes. Para quem valoriza a segurança digital, pequenas mudanças de hábitos podem fazer toda a diferença, permitindo aproveitar a tecnologia sem abrir mão da proteção de informações pessoais.

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