O Brasil convive com um cenário alarmante de violência contra mulheres. De acordo com o Mapa da Segurança Pública de 2025, o país registra, em média, quatro feminicídios por dia. Diante dessa realidade persistente, iniciativas que unem tecnologia, acolhimento e responsabilidade social ganham um papel estratégico. Nesse contexto, a Natura criou a assistente virtual Ângela, um canal de apoio disponível no WhatsApp, pensado para amparar mulheres que vivem situações de violência e não sabem por onde começar a buscar ajuda.
Mais do que uma ferramenta digital, a Ângela representa uma ponte entre mulheres em risco e uma rede de proteção segura, discreta e humanizada.
Tecnologia como aliada no enfrentamento da violência de gênero
A escolha do WhatsApp como canal principal não foi casual. O aplicativo está presente em praticamente todos os celulares no Brasil, o que garante alcance massivo, além de permitir um contato direto, silencioso e acessível. Para muitas mulheres, falar ao telefone ou procurar um serviço presencial pode representar risco imediato. Por isso, a possibilidade de digitar uma mensagem, de forma reservada, reduz barreiras importantes.
Além disso, o uso do WhatsApp evita a necessidade de instalar novos aplicativos, o que poderia despertar suspeitas em ambientes de controle ou vigilância.
Quem criou a assistente virtual Ângela
A Ângela foi desenvolvida pelo Instituto Avon, que atualmente integra o Instituto Natura. A iniciativa nasce de uma trajetória consolidada de atuação em políticas públicas e projetos voltados ao fim da violência contra mulheres.
Segundo a Natura, a tecnologia só faz sentido quando consegue ampliar a humanidade, e essa visão orientou todo o desenvolvimento da assistente.
“A Ângela foi construída para apoiar e orientar e, quando necessário, conectar cada usuária a uma rede de apoio segura, com absoluto respeito à privacidade”, afirma Renata Marques, CIO da Natura.
Um modelo híbrido: automação com escuta humana
Diferentemente de chatbots tradicionais, a Ângela adota um modelo híbrido de atendimento. Inicialmente, a conversa ocorre de forma automatizada, oferecendo:
- Informações confiáveis
- Orientações iniciais
- Esclarecimento de dúvidas
No entanto, ao menor sinal de risco, ou quando a própria usuária solicita ajuda direta, o atendimento é transferido para profissionais humanas especializadas, como assistentes sociais treinadas para escuta ativa.
Esse equilíbrio evita respostas frias e garante que situações complexas recebam o cuidado necessário.
Como funciona o atendimento da Ângela na prática
O fluxo de atendimento foi desenhado para priorizar segurança, acolhimento e confidencialidade.
Etapas do atendimento
- Contato inicial automatizado pelo WhatsApp
- Identificação de dúvidas ou sinais de risco
- Transferência para atendimento humano, quando necessário
- Escuta qualificada e avaliação da situação
- Construção de um plano de ação personalizado
Para a avaliação, as profissionais utilizam o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (FONAR), que ajuda a dimensionar o grau de perigo e orientar os próximos passos.
Tabela: o papel da Ângela no enfrentamento à violência
| Aspecto | Como a Ângela atua |
|---|---|
| Acesso | WhatsApp, 24h |
| Privacidade | Atendimento confidencial |
| Segurança | Avaliação de risco estruturada |
| Encaminhamento | Rede pública e parceiros |
| Humanização | Profissionais especializadas |
Esse modelo permite intervenções antes que a violência atinja níveis extremos.
Encaminhamento para a rede de proteção
Quando necessário, a Ângela conecta a usuária a:
- Delegacias da Mulher
- Serviços públicos especializados
- Redes locais de acolhimento
Além disso, existe a oferta de transporte seguro e gratuito, viabilizado por meio de uma parceria com a Uber, algo essencial para mulheres que precisam se deslocar com urgência.
Os números que mostram o impacto da iniciativa
Em 2025, os dados ajudam a dimensionar a relevância do projeto:
- 458 atendimentos humanizados
- 219 encaminhamentos para políticas públicas
- 120 apoios com transporte seguro
Na prática, isso significa que a tecnologia atuou como primeiro ponto de apoio, muitas vezes antes de qualquer acionamento policial.
Por que muitas mulheres não recorrem à polícia primeiro
Segundo especialistas, o acionamento policial costuma ser o último recurso. Vergonha, medo, dependência emocional ou financeira e insegurança impedem muitas mulheres de buscar ajuda formal.
“Oferecer um canal na palma da mão, com informações confiáveis e aconselhamento especializado, é fundamental para evitar que a violência se perpetue”, explica Beatriz Accioly, do Instituto Natura.
Nesse sentido, a Ângela atua como um passo intermediário, respeitando o tempo e a realidade de cada mulher.
Privacidade como princípio central
Todo o processo foi estruturado para garantir:
- Não armazenamento de dados pessoais
- Indicadores tratados de forma anônima
- Impossibilidade de identificação das usuárias
Esse cuidado é essencial para gerar confiança e proteger quem busca ajuda.
Como entrar em contato com a Ângela
O acesso é simples e gratuito:
- WhatsApp: (11) 94494-2415
- Atendimento automatizado: 24 horas por dia
- Atendimento humano: segunda a sexta, das 08h às 18h (exceto feriados)
Mensagens enviadas fora do horário humano são encaminhadas para o próximo dia útil.
Mapa mental: como a Ângela apoia mulheres
[Assistente Ângela]
|
--------------------------------
| | |
[Informação] [Acolhimento] [Encaminhamento]
| | |
Dúvidas Escuta ativa Rede de proteção
Segurança Avaliação Transporte seguro
Esse fluxo mostra como a tecnologia atua de forma integrada.
Quando tecnologia e cuidado caminham juntos
A assistente virtual Ângela mostra que inovação social não depende apenas de algoritmos, mas de escolhas éticas e humanas. Ao usar uma ferramenta cotidiana como o WhatsApp, a Natura amplia o acesso ao apoio e ajuda a salvar vidas de forma silenciosa, respeitosa e eficaz.
