Fim do Incentivo para Kits Chineses Muda Jogo dos Elétricos no Brasil e Pressiona Montadoras

O mercado brasileiro de veículos eletrificados entrou em uma nova fase após o encerramento do benefício fiscal para a importação de kits desmontados vindos da China. A medida, que havia sido concedida por tempo limitado, impacta diretamente fabricantes como BYD e GWM, além de reacender o debate sobre industrialização local, empregos e política automotiva.

Até 31 de janeiro, as montadoras podiam trazer componentes com isenção do Imposto de Importação, desde que os veículos fossem montados em território nacional. No entanto, o benefício — concedido após solicitação da BYD ao governo brasileiro — tinha validade de apenas seis meses. A partir de 1º de fevereiro, as tarifas voltaram a ser aplicadas integralmente.

Agora, os kits CKD (completamente desmontados) retornam à alíquota de 16%, enquanto os SKD (semidesmontados) passam a pagar 18%, segundo a Câmara de Comércio Exterior. Além disso, já está previsto que o imposto para CKD suba para 35% em 2027, caso nenhuma nova alteração regulatória seja aprovada.

Por Que o Benefício Existia

O incentivo temporário foi criado para dar fôlego inicial às marcas chinesas que estavam começando a operar no país. Dessa forma, elas poderiam estruturar fábricas, cadeias de fornecedores e logística local antes de partir para uma produção mais complexa.

Durante esse período, os kits eram trazidos desmontados e montados no Brasil, o que reduzia custos e permitia preços mais competitivos para carros elétricos e híbridos. Contudo, a política enfrentou resistência crescente de representantes da indústria automotiva nacional.

Pressão da Indústria Nacional

A Anfavea divulgou um estudo alertando para possíveis efeitos negativos caso o modelo fosse mantido por mais tempo. Segundo a entidade, a substituição da fabricação completa pela simples montagem de kits poderia eliminar quase 69 mil empregos diretos.

Além disso, investimentos em engenharia local, pesquisa e desenvolvimento e processos industriais avançados seriam desestimulados. A arrecadação tributária também poderia ser afetada, o que aumentou a pressão para que o governo não renovasse o benefício.

Com esses argumentos, o setor defendeu que a produção plena dentro do país é essencial para consolidar a indústria automotiva nacional no contexto da transição para a mobilidade elétrica.

O Que Dizem as Montadoras

Apesar do fim do incentivo, as fabricantes chinesas afirmam que continuam comprometidas com a industrialização no Brasil.

A BYD informou, em declarações ao UOL, que pretende avançar para a produção completa em 2026, acompanhando o progresso das obras de sua fábrica em Camaçari, na Bahia — local que antes abrigava uma planta da Ford e hoje é visto como estratégico para a nova fase da empresa no país.

Já a GWM declarou que sua operação envolve montagem “peça por peça”, com pintura realizada localmente e participação de fornecedores brasileiros desde o início. A marca sustenta que seu modelo atual não se limita a uma simples finalização de kits importados.

Essas posições indicam que, mesmo sem o benefício fiscal, as empresas buscam consolidar presença industrial no território nacional — embora o custo final dos veículos possa ser afetado.

Impacto no Preço dos Carros

Uma das principais preocupações do consumidor é se a retomada das tarifas de importação vai encarecer carros elétricos e híbridos. Analistas do setor avaliam que parte desse custo extra pode ser repassada ao preço final, especialmente enquanto as fábricas brasileiras ainda não estiverem operando em capacidade total.

Por outro lado, investimentos locais podem, no médio prazo, reduzir dependência de componentes importados e estabilizar valores. Assim, o cenário ainda está em aberto, dependendo de como cada montadora vai reorganizar sua estratégia produtiva.

O Papel da Política Industrial

A decisão do governo ocorre em um momento delicado para a indústria automotiva global, marcada por:

  • Transição acelerada para veículos elétricos
  • Disputa geopolítica por cadeias produtivas
  • Incentivos estatais em diferentes países
  • Corrida por fábricas de baterias e semicondutores

No Brasil, o desafio é equilibrar atração de investimentos estrangeiros com proteção do emprego local e estímulo à inovação tecnológica.

Cobertura Especializada

O tema ganhou destaque em veículos de tecnologia e economia, como o Canaltech, que vem acompanhando de perto os movimentos das montadoras e as mudanças regulatórias no setor automotivo.

Especialistas apontam que o fim do incentivo fiscal não representa necessariamente um retrocesso, mas sim uma tentativa de empurrar as fabricantes para uma etapa mais avançada de produção nacional — algo considerado essencial para consolidar a indústria de veículos elétricos no país.

O Que Vem Pela Frente

Com a volta das tarifas e a previsão de aumento adicional nos próximos anos, o mercado brasileiro entra em uma fase decisiva. As montadoras precisarão:

  • Acelerar a construção de fábricas
  • Ampliar fornecedores locais
  • Investir em capacitação de mão de obra
  • Negociar novas políticas industriais

Enquanto isso, consumidores e analistas observam atentamente se os preços vão subir e se os investimentos prometidos realmente sairão do papel.

O fim do benefício para kits desmontados marca, portanto, uma virada importante na estratégia nacional para veículos elétricos e híbridos — um movimento que pode redefinir a presença das marcas chinesas no Brasil e influenciar o futuro da mobilidade sustentável no país. 🚗⚡

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