David Fincher e Guillermo del Toro defendem a Netflix e debatem o que define o cinema hoje

Dois dos diretores mais respeitados de Hollywood, David Fincher e Guillermo del Toro, protagonizaram recentemente uma conversa profunda sobre o futuro do cinema — e usaram a Netflix como ponto central da discussão. O encontro ocorreu durante um bate-papo promovido pela plataforma com a equipe criativa de Frankenstein, novo filme de del Toro lançado no streaming.

Além do diretor mexicano, participaram do evento o compositor Alexandre Desplat, a designer de produção Tamara Deverell, o diretor de fotografia Dan Laustsen e o chefe de maquiagem Mike Hill. Fincher mediou a conversa e aproveitou para elogiar o longa.

Segundo ele, a produção vai além da estética visual. “O filme é lindo. Mas não apenas bonito. Porque ‘apenas bonito’ não engloba tudo. Você tem um filme que é um exemplo de expressão pessoal artesanal. É incrível nesse aspecto”, afirmou.

Assim, a discussão abriu espaço para uma reflexão maior sobre como o público enxerga o cinema na era do streaming.

O que realmente define um filme?

Durante o debate, Guillermo del Toro levantou uma pergunta central: o que torna uma obra cinematográfica um verdadeiro filme?

“As pessoas estão tentando definir o que é cinema agora. É o tamanho da tela, ou o tamanho das ideias?”, questionou.

Fincher respondeu logo em seguida, descartando métricas físicas. Para ele, formato e dimensão não determinam a essência da arte. “Não é o comprimento ou a largura da coisa”, disse.

Del Toro completou a reflexão com outra observação importante. Segundo ele, a própria obra se define pelo esforço coletivo. Quando dezenas de profissionais trabalham intensamente em um projeto, o público sente essa entrega — e reconhece aquilo como cinema.

Portanto, os dois diretores reforçaram a ideia de que a experiência cinematográfica não depende exclusivamente da sala escura tradicional.

Streaming também é cinema, dizem os diretores

A conversa deixou claro que Fincher e del Toro enxergam as plataformas digitais como parte legítima da evolução da indústria. Ambos mantêm parcerias duradouras com a Netflix e defenderam que o streaming não diminui o valor artístico de um filme.

Anteriormente, Fincher já havia afirmado que a empresa representa “o futuro do cinema”. Del Toro, por sua vez, explicou que Frankenstein foi pensado para funcionar em diferentes contextos: tanto em casa quanto em telas gigantes.

Para ele, ainda é cedo para medir completamente o impacto cultural dessa transformação. Mesmo assim, acredita que a coexistência entre salas tradicionais e plataformas digitais será inevitável.

Frankenstein: o projeto dos sonhos de del Toro

Descrito pelo próprio cineasta como seu projeto mais pessoal, Frankenstein adapta a obra clássica de Mary Shelley sobre um cientista que cria uma criatura a partir de partes de cadáveres.

O filme traz Oscar Isaac como o doutor Frankenstein e Jacob Elordi no papel do monstro. No elenco também estão Mia Goth, que pode interpretar a Noiva de Frankenstein, além de Christoph Waltz, Charles Dance, Lars Mikkelsen, David Bradley e Christian Convery.

Originalmente, Andrew Garfield faria o monstro. No entanto, conflitos de agenda o forçaram a deixar o projeto. Assim, Elordi assumiu o papel e se tornou um dos destaques da produção.

O longa já está disponível no catálogo da Netflix.

Parceria antiga com a plataforma

Del Toro tem histórico forte com o streaming. Ele dirigiu para a Netflix a animação stop-motion Pinóquio, que venceu o Oscar de Melhor Animação. Depois de Frankenstein, o cineasta voltará a trabalhar com a empresa na adaptação de O Gigante Enterrado, romance de Kazuo Ishiguro, também em stop-motion.

Portanto, sua defesa da plataforma reflete não apenas uma opinião teórica, mas também uma experiência prática com produções de grande escala fora do circuito tradicional de salas.

Debate segue vivo na indústria

A conversa entre Fincher e del Toro chega em um momento no qual Hollywood continua repensando seus modelos de distribuição. Com públicos divididos entre cinema e streaming, estúdios avaliam novas estratégias para alcançar audiências globais.

Ao mesmo tempo, cineastas seguem defendendo que a essência do cinema está na criação artística, não no meio de exibição.

Assim, a discussão promovida pela Netflix reforça uma visão cada vez mais comum entre diretores renomados: o futuro do cinema pode mudar de forma, mas não de propósito.

Enquanto isso, Frankenstein permanece como exemplo desse novo cenário híbrido — ao mesmo tempo íntimo para quem assiste em casa e grandioso para quem busca a experiência da tela grande. 🎬📺

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